Hipocalcemia: O que é e como prevenir?

Também denominada febre do leite ou síndrome da vaca caída, entenda como se caracteriza.

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Atualizado há 1 mês | Publicado em 09 . Apr, 2019

Hipocalcemia, também denominada febre do leite ou síndrome da vaca caída, se caracteriza por uma doença metabólica, que acomete as vacas leiteiras logo após o parto, ou após a primeira ordenha, ocasionada pela deficiência de Cálcio (Ca) na corrente sanguínea.

Um dos minerais mais importantes para o funcionamento do organismo é o cálcio, sendo este, encontrado em maior abundância no corpo dos seres vivos, cerca de 2% da massa corporal, além de fazer parte da composição dos ossos, sendo esta a mais importante fonte de cálcio para o animal. Esse mineral tem participação em diversas funções no organismo, tais como: coagulação sanguínea, transmissão nervosa, ativação de hormônios e enzimas, elemento essencial para a contração muscular. Durante o período seco, as vacas apresentam baixas exigências de Ca quando comparadas a exigência durante o período de lactação. Chegada a hora do parto, há uma grande demanda de cálcio na corrente sanguínea, para a contração muscular, para o nascimento do bezerro e logo em seguida para o colostro. A homeostase do Ca no organismo, ocorre por três hormônios, PTH (ParatoHormônio) a calcitonina e a 1,25 dihidroxi-calciferol. Quando a concentração sanguínea de Ca está baixa o PTH é ativado e estimula a síntese da 1,25 dihidroxi-calciferol, aumentando a absorção intestinal e reabsorção renal de Ca. O PTH regula a liberação de Ca, fóforo (P) e Magnésio (Mg) da matriz óssea mantendo os níveis de Ca na corrente sanguínea. Quando a concentração de Ca está alta, há um estímulo para síntese e secreção de calcitonina, bloqueando a reabsorção óssea e aumentando a excreção renal de Ca.

O período que antecede o parto é essencial para que se faça a adaptação dos animais, preparando-os para uma fase de grande demanda de cálcio em circulação, para esta adaptação ter sucesso, uma dieta deve ser fornecida por no mínimo 21 dias antes da data prevista do parto, a dieta deve ser aniônica, ou seja, deve conter níveis mais baixos de minerais catiônicos: Cálcio (Ca), Potássio (K) e Sódio (Na) e níveis mais altos de sais aniônicos (sulfatos e cloretos). Esta dieta tem por finalidade baixar o pH sanguíneo estimulando a liberação de PTH, estimulando a reabsorção óssea, disponibilizando Ca na corrente sanguínea.

A prevenção desta doença se dá pela dieta pré-parto a qual deve ser fornecida por 21 dias antes do parto, quando se fornecer esta dieta os animais devem ter alguma restrição de pastagens, esta restrição se dá a cultivares mais jovens com altos teores de potássio (K), o qual vai inibir o efeito da dieta aniônica. O monitoramento da eficiência da dieta, se dá pelo pH da urina, o qual deve ser coletado após o fornecimento da dieta e acompanhado por cinco dias, os níveis esperados neste período devem ser de 6 a 7 para vacas holandesas e 5,5 a 6,5 para vacas da raça Jersey. Um bom acompanhamento durante este período pode evitar problemas futuros, não apenas de hipocalcemia mas outras doenças metabólicas que acometem as vacas depois do parto.