A enfermidade conhecida como tuberculose bovina é causada pela bactéria Mycobacterium bovis, esta doença é também uma zoonose e pode ser transmitida de bovinos para seres humanos, o agente que os acomete o ser humano é Mycobacterium tuberculosis. Os principais hospedeiros desta doença são os bovinos, bubalinos, suínos, cervídeos e o homem. Em bovinos a transmissão ocorre principalmente pela via respiratória, e no homem ocorre a partir da ingestão de leite cru e contato com secreções de animais contaminadas.

Se tratando então de uma zoonose, a tuberculose bovina é disseminada por bovinos infectados através de secreções nasais e vaginais, sêmen, leite, fezes e urina. A contaminação dos bovinos é influenciada por diversos fatores, como idade, meio ambiente e manejos. A transmissão pela via respiratória dos bovinos é facilitada pela convivência natural do rebanho, sendo está com maior predominância, a contaminação também ocorre pela via digestiva. Os sinais clínicos desta enfermidade se apresentam com perda de peso, aumento de volume dos linfonodos, em alguns casos, tosse, dispneia e diarreia intercalados com constipação. O diagnostico é realizado pelo médico veterinário através dos sinais clínicos e exames. Os exames são realizados por tuberculinização com o teste diagnóstico e em caso de resultados positivos os animais são abatidos em frigoríficos especializados.

Quando o animal é submetido a eutanásia o diagnóstico presuntivo é realizado através de exame histopatológico, seguindo do diagnóstico definitivo denominado padrão ouro onde é feito o isolamento da microbactéria de lesões e secreções dos animais. O exame post-mortem realizado na inspeção sanitária é fundamental para o diagnóstico, onde visa preocupação em verificar se o produto estará apropriado para consumo humano.

O tratamento da tuberculose em animais não se torna viável, devido ao tempo de tratamento, que leva em tono de seis meses, além de que neste período o animal fica disseminando a doença. Também não existe vacina que possa ser utilizada como preventivo, a melhor forma de controlar é realizar exames anuais nos rebanhos, os quais são exigidos pelos laticínios.

No Brasil o controle da tuberculose bovina é realizado por uma série de medidas, que incluem certificação de rebanhos livres, treinamento de médicos veterinários, certificação de laboratório para diagnóstico e campanhas públicas de educação sanitária. Um exemplo é o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal - PNCEBT, que foi instituído em 2001, com objetivo de reduzir a prevalência e a incidência dessas doenças em bovinos e bubalinos, visando a erradicação da enfermidade.

A tuberculose bovina tem grande atenção no Brasil, bem como em outras partes do mundo, por se tratar de uma zoonose, coloca em risco a saúde humana. Essa enfermidade causa perdas significativas na cadeia de produção pecuária, principalmente na pecuária leiteira, levando a queda da produtividade de machos e fêmeas, baixo aproveitamento de carcaças, ocasionando assim prejuízos irrecuperáveis aos produtores, além de causar altos custos com tratamento de seres humanos.

Por Amanda Turok Sauka, Acadêmica de Medicina Veterinária.

Referência bibliográfica:

Almeida, R. F. C. et al.. Brucelose e tuberculose bovina/; epidemiologia, controle e diagnóstico/ editores técnicos - Brasília: Embrapa Informações Tecnológicas. Ed. 21. 2004.