Sêmen de Raças de Corte em Vacas Leiteiras


Em escala mundial, a técnica conhecida como “Beef in Dairy” tem ganhado espaço entre os produtores de bovinos leiteiros. Essa técnica consiste em utilizar sêmen de touros de raças destinadas para corte em vacas de raças leiteiras, e tem como objetivo aumentar o poder de comercialização das crias. Bezerros e bezerras oriundos de machos de corte possuem alta facilidade para venda, devido ao desenvolvimento corporal superior em relação às crias de raças exclusivamente leiteiras, agregando 3 vezes mais o valor em relação aos bezerros leiteiros.

Em muitos casos, a área limita o número de animais na propriedade, inviabilizando a criação constante de novilhas. Esse fator, associado ao fato de que a busca por bezerros para a produção de carne, faz com que o Beef in Dairy seja uma alternativa interessante na lucratividade das propriedades leiteiras.

Devido à necessidade de realizar a reposição das fêmeas do rebanho anualmente, essa técnica tem sido associada à utilização de sêmen sexado. Dessa forma, as vacas com melhor valor genético para produção leiteira, são inseminadas com sêmen sexado da raça leiteira aderida na propriedade, proporcionando a obtenção de novilhas de alto valor genético que irão repor fêmeas em descarte. As demais vacas, com valor genético e produção inferiores, são inseminadas com sêmen de raças de corte, resultando em crias com melhores índices de desenvolvimento corporal, que são vendidos após o desmame, e destinados à produção de carne.

Entre as vantagens obtidas ao se trabalhar dessa forma, podemos considerar:

- Estará sendo realizado o melhoramento genético do rebanho leiteiro, visto que as novilhas para reposição serão oriundas das melhores vacas;

- O risco de distocia no parto tende a reduzir, pelo fato de que algumas raças de corte possuem menor peso ao nascer, facilitando o parto;

- A repetição de cio das vacas tende a reduzir, pois, ao se trabalhar com sêmen de raças de corte, a heterose proveniente do cruzamento é maior, favorecendo a fixação e desenvolvimento embrionário.

Como escolher qual a melhor raça para se trabalhar com meu rebanho leiteiro?


Para tomar essa decisão, é necessário realizar uma análise na demanda do mercado local. Se a procura for por qualidade de produto, é interessante trabalhar com raças que ofereçam melhor acabamento de carcaça, com maior quantidade de gordura intramuscular, e melhores condições de marmoreio. Porém, se a demanda maior for por volume produzido, em relação à qualidade, deve-se optar por raças com maior deposição e desenvolvimento muscular. Além dessas variáveis, é importante utilizar raças adaptadas às condições climáticas e geográficas da região, para impedir que o estresse causado pelo ambiente dificulte o desenvolvimento das crias.

É importante mencionar que as bezerras obtidas nesses cruzamentos, devem necessariamente ser destinadas à produção de carne, pois, a utilização desses animais como vacas leiteiras representam um risco de retrocesso genético das raças leiteiras, sendo necessários muitos anos para que o potencial genético do rebanho atual seja recuperado. Além disso, para que seja utilizado o Beef in Dairy, é necessário um bom planejamento visto que no Brasil a produção de novilhas para reposição é pequena, e a falta de planejamento pode resultar no estreitamento da variabilidade genética do rebanho leiteiro brasileiro.

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Por Jucemara Rösler, mestranda em zootecnia.

REFERÊNCIAS:

Boi de corte em vaca leiteira: Uma aventura perigosa. MilkPoint. 2003. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/artigos/espaco-aberto/boi-de-corte-em-vaca-leiteira-uma-aventura-perigosa-8590n.aspx> .

ISOLA, V. J. CRESCE USO DE SÊMEN DE RAÇAS DE CORTE EM VACAS LEITEIRAS. Compre rural. 2019. Disponível em: <https://www.comprerural.com/cresce-uso-de-semen-de-racas-de-corte-em-vacas-leiteiras/>.

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