A criação de bezerras demanda grande atenção do produtor rural, pois é um período de extrema fragilidade do novo animal, que muitas vezes não possui o melhor ambiente para o seu desenvolvimento. Como na atividade leiteira a bezerra não fica aos cuidados da mãe é preciso garantir que ela consuma todo o alimento necessário para sua mantença e desenvolvimento. Esse fornecimento não deve ser encarado como um trabalho excedente, pois, é neste período em que a futura vaca em lactação começa a ser construída. Nos primeiros dias de vida ainda ocorre uma grande parte do desenvolvimento de tecidos no organismo do animal, principalmente dos tecidos relacionados à sua reprodução e produção, e dentre esses estão a formação dos alvéolos e das glândulas mamárias, que serão os responsáveis pela maior capacidade de secreção de leite no futuro. Para realizar o fornecimento de leite de forma adequada realiza-se o cálculo da quantidade necessária individualmente para cada animal, através do peso vivo, fornecendo 12% ou mais do seu peso. Se houver uma alimentação padronizada para todas as bezerras ocorrerão casos de sub ou superalimentação, acarretando problemas metabólicos, reduzindo a imunidade do animal e consequentemente deixando as portas abertas para o desenvolvimento de patógenos no organismo. A maneira de fornecer o leite também implica no sucesso da produção. Os bovinos são animais ruminantes, ou seja, possuem o compartimento estomacal dividido em quarto partes: rúmen, retículo, omaso e abomaso, isso lhes dá a capacidade de realizar uma digestão mais eficiente de fibras quando comparado aos monogástricos. Porém, ao nascer, possuem apenas o abomaso desenvolvido, sendo considerados como “quase monogástricos”. Apesar disso, há uma pequena parcela de fermentação no rúmen devido a sua microbiota inicial. Para evitar que o leite fermente no rúmen e gere gases que podem causar cólicas e desconforto no jovem animal, o organismo se adaptou e realizou a criação de uma “ponte” entre o esôfago e o abomaso, último dos compartimentos estomacais, para que haja maior aproveitamento dos nutrientes do leite materno, chamado de goteira esofágica. Na natureza o animal ergue sua cabeça para mamar no úbere, e nas leiterias devemos reproduzir artificialmente esta técnica para permitir que haja um funcionamento eficiente dessa ferramenta. Para isso é necessário fornecer o leite com uma inclinação de 30 a 45°, imitando as condições naturais, isso vai proporcionar um melhor aproveitamento do leite e evitar problemas metabólicos que poderiam ser causados pela fermentação do leite no rúmen. Esse manejo pode ser realizado com mamadeiras manuais em litros, ou com instalações fixas que atendam a altura do animal recém-nascido e que possam ser utilizados pelos animais até os 60 dias de desmame. Além do consumo de leite é importante incentivar o animal a consumir uma boa quantidade de volumoso para que haja o desenvolvimento do rúmen. Como os animais estão ingerindo leite, que é um alimento de qualidade, a troca pelo alimento volumoso deve ser realizada gradativamente até o desmame, e este material deve ser de boa qualidade, para estimular o consumo e atender as exigências nutricionais dessa fase.

Por: Rafaela Walteman, Zootecnista .

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