O comportamento exercido pelos bovinos leiteiros recebe grande influência das condições climáticas, ainda mais intensificado quando há introdução de novas raças a regiões com condições ambientais diferentes do local de origem. Isso ocorre muito na produção de leite no Brasil, onde o rebanho é representado em sua maioria por raças oriundas de clima temperado, exigindo um esforço maior para que as mesmas se adaptem ao clima tropical do país.

A temperatura ambiental exerce grande influência sobre os comportamentos: alimentar e de ingestão de água dos bovinos leiteiros, em qualquer que seja a raça, sendo considerado o fator bioclimático independente mais importante. Visto que esse fator de temperatura quando ultrapassa os 32 ° C pode aumentar o consumo de água entre 25 a 100%. A correlação entre a temperatura ambiente e a ingestão de água chegam a 0,95.

A temperatura da água também é um fator determinante, sendo que se observa maior ingestão quando as mesmas estão entre 15 e 25 °C. Por esse motivo é recomendado evitar a construção de bebedouros com materiais metálicos, pois podem proporcionar um aquecimento da água ultrapassando a temperatura ideal, provocando a diminuição da ingestão e consequentemente reduzindo a produção de leite. A proporção entre o consumo de água e a produção de leite fica 4 litros de água para cada 1 litro de leite produzido, ou seja, uma vaca que produz 20 litros de leite por dia necessita ingerir aproximadamente 80 litros de água diariamente, em regiões mais quentes a proporção aumenta entre 10 a 20%.

Em climas quentes, os animais realizam em média três visitas por dia ao bebedouro, ingerindo cerca de 28 litros de água por vez, já no clima frio a visita ao bebedouro ocorre em média nove vezes ao dia com um consumo menor devido a temperatura em que a água se encontra, demandando maior gasto energético do animal até ir ao bebedouro. Devido a esse motivo é interessante a utilizar um sistema de aquecimento da água, para que não ocorra o congelamento, mesmo que superficial, ou realocar os bebedouros quando possível de maneira que fiquem expostos ao sol, tornando a temperatura da água favorável ao consumo.

A ingestão de alimentos também é influenciada pela temperatura ambiente, expressivamente afetada quando as mesmas ultrapassam 30 °C. Ao reduzir o consumo, o organismo responde com uma redução na ruminação, redução do pH ruminal, mudança na taxa acetato:propionato (ácidos graxos presentes no rúmen), redução no crescimento microbiano, retenção do bolo alimentar no rúmen, o que acaba melhorando a digestão do alimento pelo maior tempo de permanência no rúmen, mas diminuindo o consumo dos nutrientes totais necessários para a produção da capacidade total de leite.

Altos gastos energéticos ocorrem devido à alta atividade metabólica do corpo que tenta dissipar calor. Essa energia perdida, poderia ser convertida em produção, mas, será utilizada para realizar a termorregulação. Isso é determinante principalmente no início da lactação, quando há uma grande demanda de energia para a produção de leite. Se não houver energia suficiente vinda da alimentação o organismo irá realizar o catabolismo de gordura, que devido à oxidação dos ácidos graxos irá liberar corpos cetônicos em excesso no sangue, o que pode causar acidose metabólica.

Dessa forma é preciso balancear a dieta, cuidar da sanidade, estabelecer manejos racionais, mas para que isso seja realmente eficiente, o importante é proporcionar conforto térmico e bem-estar aos animais. Uma ótima opção é fornecer locais sombreados aos animais em épocas mais quentes e dentro das instalações utilizar ventiladores e aspersores de água os quais irão tornar o ambiente mais confortável para os bovinos, garantindo a produtividade e a saúde dos animais.

Por: Rafaela Walteman, graduanda de zootecnia UTFPR-DV

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Referências:

MEDEIROS, L. F. D., VIEIRA, D. H., Bioclimatologia animal. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 1997.

Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/bioclimatologiaanimal/files/2011/03/Apostila-de-Bioclimatologia-Animal.pdf

BENEDETTI, E. Água na nutrição de ruminantes. Faculdades Associadas de Uberaba, 2007.

Disponível em: https://www.embrapa.br/documents/1354377/6683631/%C3%81gua+na+Nutri%C3%A7%C3%A3o+de+Ruminantes+-+Edmundo+Benedetti/0db7a959-892a-44ae-827e-118a71067b8d?version=1.0