O impacto da temperatura na produção leiteira.

O estresse calórico é o principal desafio encontrado na atividade leiteira no Brasil, onde dois terços do território apresenta clima tropical predominantemente quente e úmido em quase todo o decorrer do ano, com temperaturas que variam de -1,4°C a 39,7°C, as quais foram registradas no ano de 2017 em Bom jardim da Serra- SC (13/06/2017) e em Palmas – TO (06/08/2017), respectivamente.
As vacas com aptidão leiteira apresentam sensibilidade a climas tropicais pelo fato das temperaturas ultrapassarem a zona de conforto que é entre 4°C a 24°C, dependendo da umidade do ar (Nääs,1989). Ultrapassando esta faixa os animais acabam sofrendo um estresse calórico o qual afeta a sua produção de leite e outros índices zootécnicos. Durante épocas de altas temperaturas os animais apresentam um aumento no consumo de água, uma baixa na ingestão de MS (matéria seca), como consequência acabam desbalanceando a sua dieta e baixando a imunidade, estando propícios a doenças como por exemplo as mastites ambientais, as quais causam danos irreparáveis como descartes precoces, baixa taxa de prenhez e baixa de produção. As perdas com produção podem variar de 17% a 22% (Pinarelli, 2003), sendo os animais mais afetados os de maior produção. Durante épocas em que as temperaturas se encontram acima de 20°C os animais não conseguem realizar a troca de calor com o ambiente permanecendo com a temperatura corporal maior do que o normal, afetando a reprodução do rebanho, onde as taxas de concepção são reduzidas a 10-15% (Thatcher et al.2003).
Se fizermos uma conta apenas com as perdas com produção podemos observar que as mesmas são bem consideráveis. Vamos tomar como exemplo uma propriedade com 30 animais em lactação, com uma média de produção de 25 litros/vacas/dia, totalizando por dia 750 litros, sendo o preço recebido por litro de leite RS 1,30.
Se a produção baixar 17% serão 127,5 litros que não serão produzidos por dia, os quais poderiam ser vendidos a R$ 1,30 totalizando R$ 128,80 por dia, em um mês o faturamento diminui R$ 3.864,00.
Em outra comparação as perdas são de 22%, em um dia deixaram de ser produzidos 165 litros, contabilizados a R$ 1,30 serão menos R$ 214,50 por dia, durante um mês deixaria de ser faturados R$ 6.435,00. Sem contabilizarmos outros fatores como as mastites ambientais e os baixos índices de concepção.
Uma alternativa para reduzir estas perdas seria instalar um simples sistema de resfriamento por aspersão na sala de ordenha, o qual teria um investimento entre R$ 5.500,00 a R$ 6.000,00, já com ventiladores, bicos de aspersão, bomba de água, comando elétrico, canos de PVC, fiação e mão de obra. O investimento se pagaria somente com o leite que deixaria de ser produzido na segunda situação e ainda estaria proporcionando um maior conforto para os animais.

Referências Bibliográficas

Thatcher, W. W.; Guzeloglu, A.; Mekle, A. Kamimura, S. Bilby, T. R.;Kowalski, A. A.; Badinga,  L.; Pershing, R. Bartolomeu, J.; Santos, J. E. Regulation of embryo survival in cattle. Reproduction Suplement, n.61,p.253-266, 2003.

PINARELLI, C. The effect of heat stress on milk yield. Latte, Milan, v. 28, n. 12, p. 36-38, 2003.

NÄÄS, I. Princípios de conforto térmico na produção animal. São Paulo: Ícone, 1989.

 

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